terça-feira, 27 de novembro de 2012

Qualquer chão leva ao céu - a história do menino e do cigano

O 11º livro de Cristina da Costa Pereira, Qualquer chão leva ao céu - a histório do menino e do cigano (Escrita Fina Edições), a primeira novela infantojuvenil do Brasil sobre a cultura cigana, desde seu lançamento, a 8 de dezembro de 2011, na livraria do Museu da República, no Catete, Rio de Janeiro, segue sua carreira, tendo sido lançado, também, com bate-papo da autora com alunos e professores da rede municipal de ensino, a 18 de abril de 2012, no Salão Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, 14ª edição; a 14 de junho, o livro foi apresentado no Cafecito, em Santa Teresa, com mediação do poeta Jorge Ventura; a 10 de outubro, a autora encontrou-se com alunos e professores de escolas de Santa Teresa, no Centro Cultural Municipal Laurinda Santos Lobo; e, a 24 de setembro, houve debate sobre o livro na livaria República (UERJ, Maracanã), promovido pelo Programa de Estudos e Pesquisas das Religiões, com a presença de alunos do curso de Letras, do professor André Valente.
 
Nesse link, você poderá encontrar maiores informações sobre o livro, no site da editora:
 
 
"Este não é mais um livro sobre ciganos"
 
Pelo menos não do jeito que você costuma ver por aí. Aqui você não vai ver cigano ludibriador, que finge ver futuro, que dá maus conselhos e só pensa em enganar os outros pra levar um trocadinho. Nossa! Vendo assim tudo junto parece que ciganos são péssimas pessoas, né? Mas vem cá... quantos ciganos você conhece? Quem disse que eles são assim?

A Cristina estuda esse povo há 25 anos e afirma categorigamente que ciganos são assim que nem eu e você: gente. Deveria ser uma constatação óbvia, né? Mas as vezes os preconceitos estão tão enraizados na nossa mente, que nem percebemos o quão cruel podemos ser com as pessoas diferentes de nós. Ainda mais quando se fala de um povo com uma mitologia tão vasta e interessante. Bem melhor vê-los por esse lado, né?

E se você pegar um cigano e juntar com uma outra população excluída: a dos meninos de rua? Como fica? Será que eles se estranham ou se unem pra sobreviver? Pois essa é a história de Qualquer chão leva ao céu: Latsi, o cigano sozinho no mundo e Jorge, o menino de rua tão sozinho quanto ele. Nessa celebração da diversidade, aprendemos a olhar as pessoas não pela sua etnia ou condição social, mas pelo lado que mais interessa: o humano.
 
(Informação transcrita do site da editora)
 
Abaixo, segue um texto sobre o livro, do professor Ático Vilas-Boas da Mota, renomado estudioso da cultura cigana, e, em seguida, outros dois links, que levam a outros dois textos aa respeito do livro:
 
                                       Dois universos justapostos
 
Ático Vilas-Boas da Mota*
 
Quem pensar que escrever para crianças é um exercício muito fácil, uma simples aventura ao alcance de qualquer mortal, engana-se redondamente. Poucos escritores o conseguem de maneira exitosa, embora as obras que assim se intitulam vêm apenas povoar as nossas bibliotecas de forma abundante e, talvez por isso mesmo, valem apenas como testemunhos de um mero desejo de sonhar alto ou de uma reta intenção.
Cristina da Costa Pereira, professora de literatura, ciganóloga, conferencista desembaraçada e revisora textual muito eficiente, profissional apaixonada pelo que vem fazendo nesses setores, enfim, superdotada escritora, graças ao seu poder mágico de penetrar nos recantos da alma infantil, conseguiu presentear-nos com um maravilhoso texto assinalado pela forma natural, simples, autêntica e sedutora, valores que enriquecem sobremaneira a sua obra: Qualquer chão leva ao céu, a história do menino e do cigano (Escrita Fina Edições, 2011), que tem como objetivo principal convidar os leitores a uma reflexão constante sobre a convivência humana e a tão sonhada harmonia entre os povos.
São características intrínsecas do livro: discurso narrativo em terceira pessoa, muito bem estruturado, além de hipnótico, tudo apoiado no afã de nos mostrar o que seria o mundo sem os preconceitos de natureza vária.
Trata-se de um livro sustentado, de ponta a ponta, por um convite permanente à leitura, justamente numa época em que o hábito de ler vem enfrentando uma crise sem precedentes, fenômeno muito paradoxal, pois a redução do analfabetismo não significa, entre nós, o aumento de leitores, o que exige da parte dos pesquisadores sociais uma profunda análise desse fenômeno contraditório.
Alguns aspectos da cultura cigana são apresentados de forma paulatina, o que faz da leitura um caleidoscópio atraente e deslumbrante, pois às vezes o universo psicológico das crianças é mais aberto ao diálogo do que o dos adultos, já pré-moldado segundo os diversos ditames da cultura de cada povo.
Vale ressaltar ainda que essa obra nos remete aos postulados da literatura neopicaresca, haja vista o seu interesse explícito de descrever o universo gitano, considerado espúrio pela maioria dos não ciganos (gajões). Buscar inspiração na cosmovisão zíngara é remeter-nos ao exercício literário cujo eixo central da narração é a figura do pícaro (= cigano).
A literatura dessa obra faz-nos lembrar a epígrafe de um folclorista francês, ao descrever o universo infantil: “Ah! Se todas as crianças do mundo pudessem um dia dar as mãos, que linda ciranda poderiam dançar em volta da Terra!”
Cristina da Costa Pereira já deu o seu primeiro passo com o presente convite à leitura reflexiva. Parabéns!
 
*Escritor, professor de literatura oral e folclore ibero-americano e um dos pioneiros dos estudos da ciganologia no Brasil.
 
Texto do poeta Sérgio Bernado sobre o livro:
Texto do cigano calon Marcos Rodrigues:
 
Abaixo, seguem algumas fotos do lançamento do livro, no Museu da República:
 
 





 

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