segunda-feira, 3 de julho de 2017

QUALQUER CHÃO LEVA AO CÉU*
Mikka Capella

Faz algum tempo que a amiga Cris Penedo resolveu me dar um presente fora de ocasião – essas coisas que vêm da alma – e me apresentou à escritora Cristina da Costa Pereira, por quem eu já nutria profunda admiração há muitos anos. E Cristina, como o doce de ser humano que é, também me presenteou, já em nosso primeiro encontro, com um exemplar de seu último trabalho: Qualquer chão leva ao céu, a história do menino e do cigano.

Como todo bom leitor aficionado, eu tenho a minha pilha ao lado da cama (risos). Mas, recentemente, consegui colocar a leitura em dia e finalmente peguei o livro de Cristina para ler. A princípio, timidamente, como acontece com qualquer nova relação. Mas a fluidez da escrita, aliada à leveza da narrativa, foi me absorvendo num torvelinho de carência, desejo e necessidade, de maneira tal que eu, um leitor vagaroso, devorei o livro inteiro em apaixonada volúpia, no curso de apenas três dias.

Qualquer chão leva ao céu não é o estilo de livro que estou acostumado a ler (aquelas sombrias ficções de horror). É um livro leve, voltado para o público jovem, chega mesmo a ser pueril. Mas Cristina nos pega de jeito ao fazer de Jorge, um menino de rua, o personagem principal. E em suas idas e vindas pelas tortuosas estradas da vida, ele se depara com Latsi, ou Euclides, um cigano desgarrado de seu povo, atormentado pela lembrança da esposa e do filho, que morreram em um trágico desastre de automóvel. Devagar, bem ao modo das irredutíveis fiandeiras do destino, Latsi e Jorge percebem que as tramas de suas vidas, um cigano e um gajãozinho, estão irremediavelmente ligadas.

A maneira como Cristina constrói o personagem cigano, ou melhor, o universo cigano é, para mim, o ponto alto do livro. Talvez por conta de seus mais de 25 anos de pesquisa e estudos junto aos nossos, ela, uma gadji (não cigana), conseguiu mostrar os ciganos de forma realista e visceral. Não apenas no que diz respeito aos artefatos, aos ritos culturais, mas também – e principalmente – no que diz respeito ao sentir e ao pensar romani. Isso, o sentir e o pensar, é justamente a coisa que eu JAMAIS vi um gadjo (não cigano) admirador de nossa cultura conseguir entender... Até agora. Porque Cristina, em sua prosa que beira mesmo a poesia, conseguiu o impossível – mergulhar na alma cigana, nadar em seus mistérios.

Os ciganos representados no livro são do grupo Rom, com todas as suas características e peculiaridades culturais. Mas a alma que transborda deles, essa essência tão familiar e completa, é a intercessão que existe entre todos nós, e Cristina, em sua delicada sensibilidade, foi capaz de enxergar de forma surpreendente. Tanto que em alguns momentos, companheiro de Latsi, senti o coração apertado de saudade.

Recomendo para todos os admiradores e interessados em conhecer um pouco mais da milenar cultura romani. Mais do que sobre a cultura romani, no entanto, este é um livro sobre alteridade... E sobre os altos muros que nos separam.

* Texto do cigano Mikka Capella sobre meu livro "Qualquer chão leva ao céu, a história do menino e do cigano". Disponível em http://paginas-cruzadas.blogspot.com.br/2014/09/qualquer-chao-leva-ao-ceu.html

sexta-feira, 21 de abril de 2017

"Arte e Resistência" no Instituto Cervantes


Arte e resistência
Em comemoração ao Dia Internacional dos Ciganos

Día 29/04  – sábado -13h às 17h

Programação:

“Guerra Civil Espanhola – Perseguição aos ciganos” – Cristina da Costa Pereira (escritora e professora)

“Holocausto: Como pôde acontecer?” – Silvia Rosa Nossek Lerner (professora e pesquisadora)

“Arame farpado: a arte do cineasta cigano Tony Gatlif” – Charlotte Riom (pesquisadora da FGV)

Apresentação de Rodrigo Araújo: voz, violão e violino (músicas ciganas e judaicas)

Entrada franca

Inscrições : adx1rio@cervantes.es


Instituto Cervantes Río de Janeiro
Rua Visconde de Ouro Preto, 62
Botafogo-Rio de Janeiro
Cep:22.250-180
Brasil
Tel.
 : 55 21 3554-5913
Fax: 55 21 3554-5911
adx1rio@cervantes.es













domingo, 16 de outubro de 2016

Palestra: "Caminhando com os ciganos: da origem aos nossos dias"

PALESTRA: "CAMINHANDO COM OS CIGANOS: DA ORIGEM AOS NOSSOS DIAS"

Data: 22 de outubro de 2016 (sáb.)
Horário: 18:h Entrada Franca
Oradora: Cristina da Costa Pereira (escritora)
Local: Ordem Fraternal Cruzeiro do Sul- "CEU"
Rua Washington Luis, 128 - Centro-Ao Lado do Hospital Espanhol - Centro.
www.ceunamaste.org – email: secretaria@ceunamaste.org – Fone: (21) 3852-6979

Livros da autora que estarão à venda no dia:



Qualquer chão leva ao céu - a história do menino e do cigano. Refere-se a preconceitos contra dois "tipos" de seres humanos tão frequentemente hostilizados, ciganos e meninos de rua. Jorge é um menino que saiu de casa devido aos maus-tratos do pai e para dar uma oportunidade maior aos irmãos. Mas, nas ruas, diferentemente dos outros garotos, ele não rouba, não cheira cola, ou "caça briga. Ele "trabalha" para receber o pouco que tem. Entretanto, sua atenção é atraída pelo cigano Latsi. E suas histórias se misturam, desenrolam e se resolvem a partir desse encontro. 

Valor: R$ 30,00.




Os ciganos ainda estão na estrada. Baseada em pesquisa bibliográfica e por trinta anos de convívio com ciganos brasileiros e estrangeiros, bem como num trabalho de campo que resgata a história desse povo contada por eles mesmos, 'Os ciganos ainda estão na estrada' mapeia a trajetória desta etnia, da Índia, de onde o grupo emigrou para a Europa, até a perseguição promovida contra eles durante a Segunda Guerra Mundial e chega até os nossos dias.

Valor: R$ 30,00.


 


Histórias de flamenco e outras cenas ciganas. A cultura e a história ciganas não estão associadas apenas à intensidade do flamenco, ao amor pela música e ao apego à família. Representam, também, uma trajetória repleta de sofrimento, violência, preconceito - traços que perduram até hoje. O enlace entre a diversidade e a energia deste povo e sua longa trajetória como vítima de injustiças e opressão aparecem de forma ao mesmo tempo delicada e contundente neste livro. 

Valor: R$ 40,00.


domingo, 25 de setembro de 2016

Curso no Instituto Cervantes: Dois clássicos que retratam a etnia cigana: "A ciganinha" (Cervantes) e "Carmen" (Prosper Mérimée)

 Instituto Cervantes Río de Janeiro 
 

 
 Paisaje marino

A ciganinha (Cervantes) e Carmen (Merimée): dois clássicos que retratam a etnia cigana

Carmen e Preciosa, duas personagens ciganas, de Prosper Mérimée e Miguel de Cervantes respectivamente, contêm os olhares destes dois grandes autores sobre os ciganos nos séculos XVI e XIX.  Carmen se tornou um clássico da literatura universal ultrapassando as fronteiras do literário e do tempo, imortalizando a imagem da cigana andaluza, considerada hoje como um arquétipo.  Preciosa, de Cervantes, é uma história encantadora pelo relato de aventuras, pelo ambiente descrito e pela riqueza da construção da personagem protagonista.
Neste curso de 4 encontros, Cristina da Costa Pereira propõe uma abordagem da cultura cigana por Cervantes e Mérimée mediante uma análise linguística e literária das duas obras, analisando os recursos estilísticos e literários na construção das personagens Carmen e Preciosa.
 
Mini curso com a professora Cristina da Costa PereiraDias 1, 8,15 e 22/10, sábado, 10h às 13h
Valor: R$ 120,00

Informações: adx1rio@cervantes.es
 
 

 
 
Instituto Cervantes Río de Janeiro
Rua Visconde de Ouro Preto, 62
Botafogo-Rio de Janeiro
Cep:22.250-180
Brasil
Tel. : 55 21 3554-5913
Fax: 55 21 3554-5911
adx1rio@cervantes.es

sábado, 30 de julho de 2016

Arte e Espiritualidade

No dia 12 de julho, no Ciclo de Espiritualidade do Instituto Cervantes (RJ), apresentei a palestra "Teresa de Ávila, García Lorca, Cecília Meireles e Fernando Pessoa – arte e espiritualidade".

Depois de um interessante debate com o público presente, autografei meu livro A inspiração espiritual na criação artística (4ª edição, Ed. do Lar de Frei Luiz).


Nas fotos, do fotógrafo Nem Queiroz (https://www.facebook.com/nem.queiroz.9), aparece também Carlos Della Paschoa, coordenador dos eventos e diretor da Biblioteca do Instituto Cervantes.


 

 


domingo, 24 de julho de 2016

Revisão de texto

Faço preparação de originais, revisão de texto e copidesque.

Faço, também, parecer sobre texto de livro e textos de prefácio e orelha.

Sou escritora, com 13 livros publicados por diversas editoras (entre elas Rocco, Imago, Tinta Negra, Escrita Fina), e tenho experiência de quase 30 anos no ramo da revisão. Sou graduada em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e fui professora de português e literatura.

Contato: cristinadacostapereira@gmail.com

Monteiro Lobato, um dos maiores escritores brasileiros



No dia 17 de junho, participei, por sugestão de Carlos Della Paschoa, do Instituto Cervantes, de Encontros Paralelos, nº 18, FNLIJ/PETROBRAS, na mesa Dom Quixote das Crianças, de Monteiro Lobato, convidada por Elizabeth D'Angelo Serra, secretária-geral da Fundação Nacional do Livro Infantil-Juvenil.

Tal temática já fora abordada por mim no Instituto Cervantes, e na Biblioteca Parque, meses atrás sempre com boa receptividade do público presente.

terça-feira, 14 de junho de 2016

"A inspiração espiritual na arte" no Instituto Cervantes

No dia 22 de junho, quarta-feira, às 18:30, falarei sobre meu livro A inspiração espiritual na criação artística (ed. Lar de Frei Luiz). O Cervantes fica na rua Visconde de Ouro, 62, Botafogo.

Para maiores informações: (21) 3554-5915 ou visite a página do Instituto: http://riodejaneiro.cervantes.es/FichasCultura/Ficha108006_55_9.htm



D. Quixote das crianças de Monteiro Lobato no Salão do Livro para Crianças e Jovens na Feira Nacional do Livro Infantojuvenil – FNLIJ

Dia 17 de junho, sexta-feira, às 15:30, falarei sobre D. Quixote das crianças, de Monteiro Lobato, no Salão FNLIJ do Livro, na seção "Encontros Paralelos". 

O Salão fica no Centro de Convenções SulAmérica, avenida Paulo de Frontin, 1, 2º pavimento, Cidade Nova. 

Para maiores informações, acesse: http://salaofnlij.org.br/2016/encontros-paralelos.html?sid=1639:17-de-Junho 


segunda-feira, 6 de junho de 2016

QUERIDO E SAUDOSO AMIGO ÁTICO VILAS-BOAS DA MOTA

Faleceu, a 26 de março do presente ano, o mais importante estudioso brasileiro da ciganologia, o professor dr. Ático Vilas-Boas da Mota, aos 87 anos, em Macaúbas, Bahia, onde residia e onde havia, também, a Fundação Cultural Prof. Mota. Meu amigo há mais de 30 anos (conheci-o em 1985 como professor da Universidade Federal de Goiás), e foram inúmeros os eventos de que participamos no Rio de Janeiro e em São Paulo sobre ciganos. Seu nome está escrito como membro-fundador do Centro de Estudos Ciganos do Brasil, em 1987, no livro Ciganos: Natureza e cultura de Oswaldo Macedo. Trocávamos cartas e conversas telefônicas, sempre que possível. Que falta me farão suas firmezas espiritual e intelectual! Sobre o Fórum da Unirio (23 a 25 de maio), antecipadamente lhe falei e ditou-me umas palavras, saudando-o, que li na íntegra, no início da minha palestra. Nessa última conversa telefônica, estava tristíssimo, desolado, pois faleceram Alzira, sua esposa, e, em seguida, seu querido irmão caçula a quem muito estimava. Dias depois, telefonei-lhe, e ninguém atendia. Estranhei, pois morava com familiares. Mandei emails. Adiei confirmar o que, intuitivamente, pressentia. Que seus inúmeros artigos, livros (ensaios e de poesia), sempre citados como referências bibliográficas desde meu primeiro livro (1986) até o mais recente (2014), suas entrevistas transcritas em meus livros e artigos, sejam cada vez mais lidos por aqueles que desejam verdadeiramente conhecer a cultura dos ciganos. Sábio, despojado de tolas vaidades, cultíssimo, erudito e simples a um só tempo, generoso, e sobretudo um convicto espiritualista. Exemplo de ser humano -- um homem que os ciganos não podem esquecer. Certamente, Deus, Jesus e os amigos espirituais o acolherão pela sua iluminada trajetória na Terra. Leiam, pesquisem seus inúmeros livros, entre os quais destaco:

1) Ciganos: Antologia de ensaios. Brasília, Thesaurus, 2004.

2) Ciganos: Poemas em trânsito (o primeiro texto literário brasileiro traduzido para o romani). Bucareste, Coresi, 2008.

Deste livro, deixo-lhes o poema "Ciganos I":

Para Aldair Aires (GEN)

Aves em bandos,
cartas do baralho ao vento,
ciganos, envelopes sem endereço.

Paisagem, irmã de dia,
e de noite, doce travesseiro.
Arco-íris de esteiras, pátria menor.

Música: esperanto, recado, abraço,
caixa de ressonância de sol maior.

Quem os vê passar tão rápidos
nunca lhes suspeita os cofres
das lembranças ocultas em arabescos,
sete chaves das arcas milenares.

Crescem-lhes os cabelos,
mil traços em desalinho,
Leem-se-lhes, nos bigodes caídos,
retratos de profetas peregrinos.

Entre o ouvido e a garganta,
um tesouro de sagas remotas,
segue devagar, aos montes.

Cigano que morre:
Incêndio de uma biblioteca
que nunca mais se repete!

(Rio de Janeiro, 1985)

Alguns links sobre o professor Ático:

http://www.portaldemacaubas.com.br/morre-professor-atico-vilas-boas-da-mota/
http://www.portaldemacaubas.com.br/atico-o-mestre-do-arado/
https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81tico_Vilas-Boas_da_Mota
http://gshow.globo.com/Rede-Bahia/Aprovado/noticia/2016/01/documentarista-difunde-obras-do-historiador-atico-vilas-boas.html

Os ciganos na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Realizou-e nos dias 23, 24 e 25 de maio, do presente ano, o Fórum "Influências da Cultura Cigana na formação social brasileira e a necessária inclusão de seus valores na Educação, Bibliotecas e Centros de Cultura", idealizado e coordenado pelo professor da Escola de Biblioteconomia da Unirio Eduardo Alentejo. Estive presente nos três dias e, como palestrante, participei da abertura do evento a 23/5 com o seguinte tema: "A invisibilidade da etnia cigana: estereótipos e discriminação." A programação completa, bem como informações sobre os palestrantes, encontram-se no site do evento: http://edggardy.wix.com/brazilmulticultural Destaco aqui a palestra do curador do evento, o professor Alentejo; o "Bate-papo sobre os ciganos", de Marcos Rodrigues; a palestra de Mio Vacite. a participação brilhante de todas as bibliotecárias e dos alunos de Biblioteconomia. Meus agradecimentos ao convite da Unirio e ao professor Eduardo Alentejo.

Alguns de meus livros se encontram à venda agora na Livraria Tantum, com Val Lippi, à Avenida Pasteur, 458, Urca, Unirio, CCH - térreo. (21) 995616774

As fotos aqui postadas foram feitas pelo fotógrafo Nem Queiroz e estão, junto a outras fotos do evento, no facebook dele: https://www.facebook.com/Nem-Queiroz-323069181099063/?fref=ts






terça-feira, 17 de maio de 2016

"Invisibilidade da etnia cigana: estereótipos e discriminação" na UniRio

Dia 23 de maio, às 16 horas, estarei no 1º Fórum "Influências da Cultura Cigana na Formação Social Brasileira e a necessária inclusão de seus valores na Educação, Bibliotecas e Centros de Cultura", na UniRio, Departamento de Biblioteconomia, a convite do organizador do evento, professor Eduardo Alentejo. O tema de minha palestra será "A invisibilidade da etnia cigana: esterótipos e discriminação". Também estarei autografando meu mais recente livro sobre tal temática: Histórias de flamenco e outras cenas ciganas.


A programação completa do evento é extensa e pode ser conferida no seguinte site: http://edggardy.wix.com/brazilmulticultural

A UniRio fica na avenvida Pasteur, 458, Urca, Rio de Janeiro.

"Os ciganos espanhóis" no Instituto Cervantes


Instituto CervantesInstituto Cervantes de Rio de Janeiro
Atividades culturais
Rio de Janeiro
Português    Español   


Datas

24/05/2016 (18:30 h)

Lugar

Instituto Cervantes
Rua Visconde de Ouro Preto, 62
20011020 Botafogo Rio de Janeiro
(BRASIL)

Os ciganos espanhóis

Conferência

Dia 24 de maio é o dia de Santa Sara, padroeira dos ciganos, e Dia Nacional do Cigano. Para comemorar essa data, a escritora Cristina da Costa Pereira irá falar sobre a situação específica e as peculiaridades dos ciganos na Espanha, com seus altos e baixos, desde a chegada até os nossos días- a presença dos ciganos nas festas religiosas, nas feiras, o oficio de exímios ferreiros, a buena-dicha (ou buena ventura), a preocupação com a alfabetização das crianças ciganas - em calon e em espanhol.

Dentro de

Cafés literários. Ciclo de conferências

Participantes

Cristina da Costa Pereira

Entidades Organizadoras

Instituto Cervantes (Río de Janeiro)
Entrada gratuita - aforo limitado a 80 plazas.
Teléfono de reservas:   3554 5913

Instituto Cervantes

Rua Visconde de Ouro Preto, 62
CEP 22250-180, Botafogo - Rio de Janeiro

Tlf: 55 21 3554 59 10
Fax: 55 21 3554 59 11
informario@cervantes.es 

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Lançamento do livro "A inspiração espiritual na criação artística" na FLIST

Convido vocês para este novo evento de lançamento do meu livro A inspiração espiritual na criação artística, no Estúdio Denise Tenório, dia 14 de maio, às 16 horas. 

O endereço do Estúdio é o seguinte: rua Áurea, 75. Bairro: Santa Teresa. 

O evento faz parte da Feira Literária de Santa Teresa (FLIST).


terça-feira, 22 de março de 2016

Lançamento da 4ª edição do livro "A inspiração espiritual na criação artística"

De onde vem a inspiração e de que forma ela se transforma em arte? Na tentativa de explicar o processo da inspiração, fenômeno subjetivo ainda tão intrigante quanto desconhecido, Cristina da Costa Pereira, autora de A inspiração espiritual na criação artística, entrevista religiosos, homens de ciência e, principalmente, criadores das mais variadas artes, constituindo-se esta obra numa importante reflexão sobre o assunto. No livro, aborda-se a relação que se dá entre os componentes material e espiritual na criação artística. Este livro, contudo, não partilha a ideia de que a obra cai pronta na mente do artista, como num passe de mágica, nem se tem a intenção de tirar o mérito e o valor do artista. Na segunda parte do livro, a autora destaca os escritores Teresa de Ávila, García Lorca, Cecília Meireles, Fernando Pessoa e Guimarães Rosa, cujas obras são absolutamente afinizadas com a temática do livro.

Em 2000, o livro foi finalista do Prêmio Jabuti Categoria Religião (2000). A 30 de março de 2016, será lançada sua 4ª edição (Editora Lar de Frei Luiz), revisada e atualizada, com sete novos entrevistados. Haverá, no dia, palestra da autora sobre o tema do livro e noite de autógrafos, com apresentações musicais de Carol Panesi e Rodrigo Araújo, ambos violinistas. 

Data: 30 de março, às 18 horas. 
Local: Lar de Frei Luiz. 
Endereço: Estrada da Boiúna, 1367, Taquara, Jacarepaguá.
Site: http://www.lardefreiluiz.org.br/

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Lançamento do livro "Histórias de flamenco e outras cenas ciganas" em São Paulo, no Centro de Estudos Universais


Estes, na foto, são os últimos participantes a saírem do lançamento de meu livro Histórias de flamenco e outras cenas ciganas (Ed. Tinta Negra), uma noite linda e inesquecível passada no Centro de Estudos Universais -- CEU, em Vila Madelena, São Paulo (4/12/2015). Estou cercada dos amigos: a psicóloga e organizadora do evento Valéria Sanchez e sua amada família; o jornalista Romeo Graziano Filho e família; Gláucia, a anfitriã; o calon Manoel Moreno, cantor e bailarinho de flamenco; a romi Silvia Sbano, circense, filha do saudoso Zurka Sbano.

Memória, literatura, música, dança, luzes, flores, crianças, emoção, notícia -- perguntas e respostas sobre os ciganos --, convívio fraterno entre não ciganos e ciganos. Assim como deveria ser sempre e não só em ocasiões especiais.

Grata a todos pelo calor com que me receberam e pela atenção dada à minha literatura e às minhas palavras. Ótimo saber que ainda há pessoas querendo contar e ouvir histórias -- conversar.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Convite para palestra de Cristina da Costa Pereira no Instituto Cervantes: "Dom Quixote das crianças", Monteiro Lobato

O Instituto Cervantes fica na rua Visconde de Ouro Preto, 62, Botafogo, Rio de Janeiro. Para maiores informações: (21) 35545915.

http://www.difusionelectronica.institutocervantes.es/read/show.aspx?a=HnV2tDGpvd2aASntjvYhv7RKpc0bbDL3.html

24 de fevereiro quarta-feira18h30

CICLO QUIXOTE: DOM QUIXOTE DAS CRIANÇAS DE MONTEIRO LOBATO
Com Cristina da Costa Pereira
Local: sala de leitura  - atividade gratuita
Se, contemporaneamente, já perdura o conceito de que a fronteira entre livros para crianças e jovens e para adultos é cada vez mais indistinta, e que o ideal é que o livro infantojuvenil comova e interesse também aos pais, e assim encontre lugar na cultura da família – a leitura torna-se, então, assunto de família –, Monteiro Lobato sempre soube disso como demonstra sua literatura.

Por meio dos personagens do Sítio do Picapau Amarelo, Monteiro Lobato adaptou, em XXIX capítulos, o clássico da literatura universal, Dom Quixote, a obra-prima de Miguel de Cervantes, para crianças e jovens, que deleita, também, os adultos.

A escritora Cristina da Costa Pereira revelará, neste Encontro Cultural, as preciosas nuances de Dom Quixote das crianças, de Monteiro Lobato.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Dia 30 de março, às 18:30, no Lar de Frei Luiz, será lançada a 4ª edição do livro de minha autoria A inspiração espiritual na criação artística (Editora do Lar de Frei Luiz), totalmente revisada e atualizada, inclusive contando com a participação de novos entrevistados. Dentre eles, o talentoso e premiado artista plástico Eraldo Motta (https://www.facebook.com/eraldomotta). Quem quiser conferir a sua obra, há, em sua residência, 20 trabalhos novos à venda. Contato: (21) 38262320.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Peça sobre ciganos do Grupo Nômade

Amigos,

O Grupo Nômade convidou-me, o que muito me alegrou, para fazer parte de seu projeto como assessora de ciganologia -- criação de uma peça de teatro com temática cigana --, conhecedores que eles são de minhas pesquisas, livros, palestras e convívio com o povo cigano há 30 anos.

Já nos falávamos, há algum tempo, e íamos amadurecendo a relação. E, afinal, no lançamento, em São Paulo, a 4 de dezembro de 2015, do meu livro Histórias de flamenco e outras cenas ciganas (editora Tinta Negra), tive o prazer de conhecer Ana Cristina Freitas e Joanas di Paula, pessoalmente, e pudemos conversar mais um pouco. Consolidaram-se, então, nossos laços. É muito bom ver pessoas talentosas, com seriedade de propósito, dedicação, tentando criar algo bom sob a inspiração da etnia cigana e levar, com amor, o fruto de seu trabalho artístico ao público brasileiro, infelizmente ainda tão viciado em estereótipos e deturpações sobre os ciganos.

Assistam ao vídeo abaixo! Conto com a preciosa colaboração de todos vocês, admiradores da cultura cigana, ou ciganos, no intuito de realizar o projeto do Grupo Nômade.

Cristina da Costa Pereira.




Para maiores informações:

https://www.vakinha.com.br/vaquinha/montagem-cigana

https://www.facebook.com/Grupo-N%C3%B4made-880294082083974/?fref=ts

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Lançamento do livro "Histórias de flamenco e outras cenas ciganas" (Ed. Tinta Negra) em São Paulo: 4 de dezembro, 18:30, rua Natingui, 442, sala 205, Vila Madelena.

Dia 4 de dezembro, às 18:30, estarei lançando meu 13º livro, Histórias de flamenco e outras cenas ciganas (Ed. Tinta Negra), em São Paulo, no Centro de Estudos Universais. Haverá apresentação de música cigana e bate-papo com a autora.

O endereço do Centro de Estudos é Rua Natingui, 442, sala 205, Vila Madelena. Telefone para contato: (11) 30713842.


domingo, 6 de setembro de 2015

Entrevista dada por mim ao programa "Conversa com o autor" (Rádio MEC AM 800), no dia 12 de setembro de 2015. Confiram!

No dia 12/9, na Rádio MEC AM (800 Khz), fui entrevistada por Katy Navarro no programa Conversa com o autor sobre meu livro Qualquer cão leva ao céu -- a história do menino e do cigano.

Abaixo, segue o link da entrevista.


Confiram!


http://radios.ebc.com.br/conversa-com-o-autor/edicao/2015-09/cristina-da-costa-pereira-e-janine-rodrigues-sao-convidadas

sábado, 25 de julho de 2015

Link para entrevista dada por mim à rádio CBN, no dia 30.1.15

Dia 30 de janeiro de 2015, dei uma entrevista à jornalista Andréa Ferreira (CBN) sobre meu livro Histórias de flamenco e outras cenas ciganas (ed. Tinta Negra) e meu trabalho de 30 anos referente à etnia cigana, com ênfase na situação contemporânea deste povo no Brasil e no exterior.

Abaixo, segue o áudio dessa entrevista, que pode ser ouvido também no youtube.


domingo, 31 de maio de 2015

Entrevista à Rádio Nacional sobre o Dia Nacional dos Ciganos, 24 de maio

No dia 22 de maio de 2015, pela comemoração do Dia Nacional do Ciganos no Brasil, a 24 de maio, dei uma entrevista ao programa Dito e feito à Gláucia Araújo na Rádio Nacional AM/Rio. 

Foram várias perguntas relativas à etnia cigana, hoje, no país, dentre as quais destaco: a questão do nomadismo/sedentarismo; se existe uma religião cigana; as políticas públicas que vêm sendo desenvolvidas no país; por que escolhi este tema; qual a origem dos ciganos; como o brasileiro vê a existência deste povo e como é a convivência entre os ciganos e os não ciganos no Brasil.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

"A religiosidade dos ciganos" no Instituto Cervantes

Olá,

Convido vocês para o evento abaixo, "A religiosidade dos ciganos: crenças, rituais e cultos", no Instituto Cervantes, dia 27 de maio (quarta-feira), às 18:30.

Abraço,

Cristina.

Instituto CervantesInstituto Cervantes de Rio de Janeiro
Atividades culturais
Rio de Janeiro
Português    Español   


Datas

27/05/2015 (18:30 h)

Lugar

Instituto Cervantes
Rua Visconde de Ouro Preto, 62
20011020 Botafogo Rio de Janeiro
(BRASIL)

A religiosidade dos ciganos: crenças, rituais e cultos

Conferência

Não há uma religião cigana. Ciganos são uma etnia e adotam as religiões dos países onde vivem. No Brasil, há ciganos católicos, espíritas, umbandistas e evangélicos. cntudo, há uma religiosidade intriínseca à vida dos ciganos.
A escritora Cristina da Costa Pereira que há trinta anos estuda a etnia cigana, falará sobre os aspectos da religiosidade que os ciganos adotam da sociedade majoritária , mas também destacará crenças, rituais e cultos inherentes a este povo.
A slava( cerimônias religiosas), a pomana ( culto aos antepassados), mamiori, Santa Sara, ou a grande rainha dos ciganos.

Participantes

Cristina da Costa Pereira

Entidades Organizadoras

Instituto Cervantes (Río de Janeiro)
Entrada gratuita - aforo limitado a 85 plazas.
Teléfono de reservas:   3554 5913

Instituto Cervantes

Rua Visconde de Ouro Preto, 62
CEP 22250-180, Botafogo - Rio de Janeiro

Tlf: 55 21 3554 59 10
Fax: 55 21 3554 59 11
informario@cervantes.es

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Dois encontros com ciganos Instituto Cervantes: "La Gitanilla" e "A religiosidade dos ciganos: crenças, rituais e cultos"

Olá,

Convido vocês para dois eventos no Instituto Cervantes, onde estarei falando sobre os temas abaixo. O Cervantes fica na rua Visconde de Ouro Preto, 62, Botafogo. A entrada é gratuita. Espero vocês lá!

Abraços,

Cristina.
LA GITANILLA
O OLHAR DE CERVANTES SOBRE
OS CIGANOS
Com Cristina da Costa Pereira
Local: auditório.
Hora: 18h30
Data: 20 de maio, quarta-feira

Por meio do estudo do campo semântico, das funções de linguagem e das figuras de linguagem, a conferencista revelará a comparação, feita por Cervantes, entre o mundo urbano dos não ciganos e o mundo do campo, rural, dos ciganos, com o objetivo de problematizar o convívio entre ciganos e não ciganos. 
La gitanilla é uma história encantadora pelo relato de aventuras, pelo ambiente descrito e pela riqueza da construção da protagonista, chamada Preciosa.


A RELIGIOSIDADE DOS CIGANOS: CRENÇAS, RITUAIS E CULTOS

Com Cristina da Costa Pereira
Local:
 auditório.
Hora: 18h30
Data: 27 de maio, quarta-feira

Não há uma religião cigana. Ciganos são uma etnia e adotam as religiões dos países onde vivem. No Brasil, há ciganos católicos, espíritas, umbandistas e evangélicos.

A escritora e especialista em cultura cigana, Cristina da Costa Pereira, falará sobre aspectos da religiosidade dos ciganos: suas crenças, rituais e cultos como a slava, a pomana, Mamiorri, Santa Sara e a grande rainha dos ciganos espanhóis, Maria Padilla (Bari Crallisa), segundo Prosper Mérimée, no livro Carmen.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Convite para evento sobre ciganos em Santa Teresa (FLIST/2015)

Olá,

Convido vocês para o evento abaixo, que também fará parte da Festa Literária de Santa Teresa.

Para melhor visualização, clique na imagem. 


Artigo "CAMINHANDO COM OS CIGANOS", de Cristina da Costa Pereira, publicado no jornal "Prana" de maio de 2015, 219ª edição

CAMINHANDO COM OS CIGANOS

A publicação de livros sobre ciganos é um tesouro para nós, porque os escritos vêm documentar, noticiar, esclarecer, elucidar. Também, encantar. No presente, agradecemos aos livros de Cristina da Costa Pereira, desde 1986, que juntamente com a criação do Centro de Estudos Ciganos do Brasil (RJ, 1987), fizeram com que não figurássemos tão somente nas páginas policiais, ao nos colocarem, principalmente, nos cadernos culturais dos jornais do país (Oswaldo Macedo, in PEREIRA, Cristina da Costa. Histórias de flamenco e outras cenas ciganas. Rio de Janeiro, Tinta Negra, 2014).


No Brasil, segundo dados da Unesco, há mais de 500.000 ciganos, e a maioria dos brasileiros desconhece tal etnia, ou a conhece, somente, por meio de estereótipos. O importante, então, é dar voz a esta minoria excluída e não apenas apontá-los, dizendo: “Aqueles são os ciganos; assim são eles”, mas contextualizá-los dentro das complexas relações sociais de dominação que os vêm afetando, ao longo da sua trajetória milenar em diversas partes do mundo: diáspora na Índia, Inquisição, escravidão na Romênia, degredo de Portugal/chegada ao Brasil, perseguições por meio de leis, alvarás e éditos do século 15 ao século 19, guerra civil espanhola, Segunda Guerra Mundial (nos campos de concentração nazistas foram exterminados cerca de meio milhão de ciganos), sua condição no século 21, de extrema marginalização, sobretudo no Leste Europeu, e de vítimas de xenofobia em vários países da Europa. Além disso, a atitude muito comum, por parte dos não ciganos, de tachar os ciganos como um povo místico e detentor de tradições ocultas, ou seja, considerar o sobrenatural, é mais cômoda. Tocar na realidade é o que dói.
Ciganos são uma etnia e não têm religião própria, mas adaptam-se às ideias religiosas, fundindo-as com crenças comuns a muitos povos. Em relação ao Brasil, nos 30 anos de convívio com este povo, conheci ciganos católicos, espíritas, umbandistas e evangélicos. Devel (Deus) é a maior referência em sua religiosidade, bem como Jesus Cristo. Logo, à diferença dos judeus, que são uma etnia e têm uma religião própria – e qualquer pessoa pode se converter à religião judaica –, no que concerne aos ciganos, isso é impossível de acontecer.
Pela proximidade do dia 24 de maio – dia de Santa Sara, também comemorado em Camargue (sul da França) a 25 de maio – e, por isso, por decreto presidencial, desde 2006, instituído como Dia Nacional do Cigano, no Brasil, falarei agora sobre Santa Sara. Mas ressalto que o espaço é exíguo para tratar de assunto tão polêmico, e que gera inúmeras controvérsias entre os estudiosos e, sobretudo, entre os ciganos. Resumidamente, então, darei algumas informações a seguir.
A referência a Santa Sara, nos livros de hagiografia do mundo ocidental, remete ao século 13, e há narrativas diversas, e até discrepantes, sobre a origem do culto à Santa Sara pelos ciganos.

Sara é reconhecida como a padroeira dos ciganos somente entre um grupo de ciganos, os gitans, e não é reconhecida pelos outros grupos (rom, manouche e sinti). A peregrinação existente em Saintes-Maries-de-la Mer (Camargue) [desde 1936, para alguns, e para outros, depois da Segunda Guerra Mundial] não é frequentada por todos os grupos citados, que não manifestam veneração a ela como o fazem os gitans (...). No 1º Congresso Internacional do Povo Rom, que ocorreu em 1971 (Londres), um grande pôster foi amplamente divulgado mostrando a procissão com Santa Sara, em Camargue, e uma legenda explicativa: “A estátua de Sara está sendo carregada sobre os ombros dos ciganos. Santa Sara, a grande protetora dos ciganos, representa a forma cristianizada da deusa hindu Kali, deusa do Destino e da Fortuna,  que tem sido cultuada pelos ciganos, depois de os primeiros deles terem deixado sua pátria de origem, no norte da Índia, no ano 1000.” Para marcar o fim das festividades do Congresso, a estátua de Santa Sara é conduzida numa grande procissão ao fim da qual foi submergida num tanque de água, à semelhança das festas de outubro de Durga, da Índia. Sara Kali pode evocar, neste sentido, a deusa indiana Kali Durga, ainda que a hierarquia católica romana tente preservar a peregrinação de Saintes-Maries-de la Mer na comunhão oficial da cristandade. (in BLANCHET, Régis. Un peuple – mémoire les Roms, Ed. du Prieuré, s.d.).  

Há ciganos, bastante conhecedores de sua tradição, que afirmam que a única realidade, neste sentido, é Sinti Sara, crença originada na Índia e que propiciou o sincretismo. Já o escritor cigano Franz de Ville, em seu livro Tziganes, Bruxelas, 1956, afirma:

Sara, a Kali, era cigana e foi um dos primeiros membros do nosso povo a receber a Revelação. Ela liderava sua tribo, que vivia nas cercanias do Rhône [rio Ródano] e conhecia inúmeros segredos transmitidos pelos antepassados. Um dia, Sara teve uma visão que a informa de que as mulheres presentes à morte de Jesus iriam chegar e que ela deveria ajudá-las. E Sara as vê chegar em sua embarcação. O mar estava agitado e o barco ameaçava naufragar. Maria Salomé joga seu manto sobre as ondas e Sara, utilizando-o como uma jangada, vai até Maria Jacobé e Maria Salomé e as ajuda a chegar à terra firme por meio de uma oração. 

Esta antiga narrativa, com inúmeras variantes e o adendo de que “Sara era a companheira egípcia das Três Marias (Maria, mãe de S. Tiago o Menor, Maria de Salomé, mãe de S. João Evangelista e S. Tiago o Maior, e Maria Madalena, acompanhadas de José de Arimateia e Lázaro), é reproduzida por D. Estevão Bettencourt O.S.B, no artigo “Os Ciganos e a Religião” em Ciganos – antologia de ensaios, org. Ático Vilas-Boas da Mota, Brasília, Thesaurus, 2004. D Estevão acrescenta:

Em comemoração do episódio (cuja autenticidade não interessa discutir aqui), os cristãos ergueram, na mencionada ilha (Camargue), uma grandiosa igreja onde estão guardadas as relíquias de Santa Sara, que os ciganos cristãos veneram como sua padroeira, e para lá acorrem a 25 de maio, de várias partes do mundo (França, Alemanha, Áustria, Itália, Espanha, e até do Marrocos), podendo o número de peregrinos chegar a um total de 5.000.

Muitos estudiosos do tema, de várias partes do mundo, dizem que “Sara não é cigana, mas os ciganos a fizeram sua.” E outros acrescentam: “Os ciganos, em verdade, vivenciam o acontecimento como uma auspiciosa fonte de negócios, de intenso comércio.”
O fato é que, hoje, no Brasil, em centros de umbanda e em inúmeros grupos esotéricos, Sara é cultuada como a Santa dos Ciganos. No entanto, grande parte dos ciganos brasileiros não reconhece Sara como sua padroeira e, sim, N. S. Aparecida. No Nordeste do Brasil, Padre Cícero é bastante festejado pelos ciganos. E N. S. Santana, a Velha (como a chamam muitos ciganos), também é bastante homenageada, no Brasil, a partir da época colonial: “N. S. da Glória/Tem grande merecimento/Mas a Senhora Sant’Ana/Trago mais no  pensamento” (quadra de louvação presente nos bródios dos ciganos calons sedentários do Rio de Janeiro, registrada por Melo Morais Filho, na sua obra precursora, Cancioneiro dos ciganos – poesia popular dos ciganos da Cidade Nova. RJ, Ed. Garnier, 1885).
Concluindo, transcrevo as palavras, de 23 de abril de 2015, que me foram ditas, exclusivamente para este artigo, pelo mais renomado ciganólogo do Brasil, Ático Vilas-Boas da Mota:

Sara é uma santa, como tantos outros santos do panteão cristão, que pertence ao ciclo das navegações, e como a documentação referente a isso é escassa, aceita-se tanto a tradição ligada ao ciclo marítimo como a que pressupõe uma origem muito mais antiga, que a torna mais próxima da Índia. Embora haja também a possibilidade de um sincretismo mediante o uso da personagem bíblica semítica Sara.

Cristina da Costa Pereira, escritora e professora de literatura, com 13 livros publicados, sendo 7 referentes à etnia cigana.